MONTANHAS, ADRENALINA, CHAMONIX E DUAS RODAS.

São 8 horas da manhã e já estamos em cima das motos, uma chuva fina molha o capacete, será um grande trecho de autoestradas de Veneza a Sestri Levante na Itália. A auto-estrada é a casa da BMW 1600 GT, ela é grande, sexy e forte, ela rasga cada centímetro do asfalto, tem sede de velocidade, os radares a amaram, mas sua voracidade transborda e é possível ver o que se esconde debaixo da sua carenagem. Na Autobahn, o limite é o seu.

Hoje a viagem está rendendo, nossa parada para o almoço é na cidade onde um homem conseguiu juntar aço, inteligência, sangue e paixão para criar um mito. Fomos visitar o Museu da Ferrari na cidade de Maranello. Sua fabrica é o elemento mais importante na cidade, em seu entorno restaurantes contam historias, hotéis acomodam pilotos famosos, mas não pense se tratar de uma grande cidade, ela mantém o ar de 40 anos atrás, onde o silencio para a siesta tem que ser respeitado, os motores se calam no centro após o almoço.

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Como estar em Maranello e não dirigir um super carro?! Alugamos uma Lamborghini, o carro que o próprio Enzo Ferrari ajudou a criar. Como assim você me pergunta? Ferruccio Lamborghini era um rico fabricante de trator, apaixonado por carros, e tinha uma Ferrari, mas ela apresentava um problema na embreagem. Ele resolveu instalar uma de trator e solucionou o problema. Depois disso foi visitar Enzo que o desdenhou, dizendo, "Você não sabe nada sobre carros, o melhor que pode fazer é deslocar-se em seus tratores…", dai para frente tudo é historia, mas sabemos que nesse dia surgiu à primeira Lamborghini sedenta de vingança.

E Lamborghini consegui, o carro é insano....primeira...segunda...200...PQP...curva. Acho que fabricantes de carros superesportivos queriam ser cardiologistas, por é impossível pilotar esses bólidos e quase não ter uma arritmia.

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Dormimos em Sestri Levante, um pequeno balneário pesqueiro, como estamos no outono, o movimento é pequeno, somente alguns aposentados, mas tem seu charme.

Voltamos à estrada, direto a Nice, França. Que estrada linda, você tenta contar quantos tuneis e pontes, mas é impossível, a estrada se chama “Autoestrada do Sol”, são 179 túneis é uma loucura.

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Demos uma pequena passada por Mônaco que honestamente não me encantou, acho que Mônaco foi linda nos anos 50 amadureceu nos 60 e tornou-se uma mulher sedutora cheia de curvas e segredos. Hoje ela vem sendo modificada, e nisso eu discordo, deixem essa bela mulher envelhecer com sabedoria é o que o Príncipe Albert I, ao promulgar a constituição em 1911, deveria ter dito.

Nice foi uma cidade que me encantou, grande parte por suas feiras, seu povo alegre, seu ar litorâneo que me lembrava minha casa. Nesse pedacinho de terra no mar, há  transito também, uma loucura, as scooters cortam sua frente, de um jeito que deixaria qualquer motoboy paulista com medo.

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Na feira você encontra todos os cheiros da França, baguetes, peixes frescos, doces, frutas, barracas com sal do mundo todo, a cidade respira o passado, vivendo o presente. Turistas se misturam com moradores locais, que ali se abastecem.

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O corpo esta cansado hoje e a viagem está quase no fim, teremos amanhã um trecho longo até Chamonix. Sentamos para almoçar e os projetos já começaram, onde será próxima, EUA, Marrocos ou America do Sul, o corpo diz ‘’não, estou exausto’’ mas a alma tem sede de aventura. Parece que o corpo sabia o que nos esperava, foram 10 horas em cima da moto com muita chuva, frio, fome, e vontade de ir ao banheiro. Meu corpo gritava, toma um dorflex, mas continuei até o fim.

Quando cruzamos da Italiana para França, atravessamos um túnel de 6 km que corta os Alpes, lá existem vários túneis, de 11 km, 30 km. Em 2017 ficará pronto o maior túnel do mundo nos Alpes, passando de 50 km, detalhe, são quase 30 euros para atravessar.

Chamonix é  uma mistura de França com Suíça, Itália e Áustria. A cidade tem vocação para o turismo, seu palco principal é o Montblanc com seus 4810 metros de altura, lá é possível fazer trilhas, esquiar, pular de Parapente e alpinismo um lugar perfeito para os amantes de adrenalina. Para pessoas comuns, subir o Montblanc já é uma aventura, seu teleférico divide a subida em dois estágios, no primeiro enlatados como sardinha somos só empolgação, à medida que sobe, o corpo sente a pressão, o frio e o medo da altura, já o segundo teleférico leva a um mirante congelado, a vista para cidade é incrível, mas o ar rarefeito impede de ficarmos muito tempo. O teleférico por si só é uma obra de arte, foi pensado em 1904 e teve inicio em 1909, mas a primeira guerra mundial paralisou a obra, o primeiro estagio foi concluído em 1954.

Infelizmente está na hora de dizer adeus aos Alpes, devolver as motos, hora de voltar.

Hoje de volta ao Brasil, estou arrumando as malas e embarco para Portugal em 16 dias.

Te vejo lá?

 

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