Yinka Shonibare

Uma das obras que mais chamam a atenção na Africa Africans - Arte Contemporânea (exposição realizada no Museu Afro Brasil em São Paulo, que você pode conferir com mais detalhes aqui) é, sem sombra de dúvidas, a instalação The British Library de Yinka Shonibare.

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O artista de 47 anos que se intitula um "híbrido do pós-colonialismo" lida com assuntos sérios como raça, classe, impotência social, colonialismo e o constante clima de guerra na África de uma maneira sagaz e geralmente indireta.

Yinka nasceu em Londres e com três anos foi morar com a família em Lagos, na Nigéria. Com uma bagagem britânica e uma infância africana, Shonibare realmente via seu dia-a-dia através de dois prismas diferentes: o do colonizador e o do colonizado.

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E foi exatamente esse olhar que ele abordou em seus trabalhos. Anos depois voltou para Londres para cursar Fine Art na Byam Shaw College of Art (hoje Central Saint Martins College of Art and Design) e depois na Goldsmiths College, onde se formou como um dos integrantes do Young British Artists (grupo de artistas visuais que começaram a fazer exposições juntos em Londres, em 1988).

Porém, seu início no universo artístico não foi muito fácil... Além das dificuldades de ser um artista negro em solo britânico na década de 80, apenas um ano depois de Yinka retornar à Inglaterra, ele desenvolveu mielite transversa (inflamação na medula espinhal que compromete o sistema neurológico e motor) que resultou na paralisia do jovem, que batalhou contra a deficiência física e hoje se resume à algo sutil e o uso de uma cadeira de rodas para maior conforto do artista.

"Sim, eu tenho uma deficiência física e eu estava determinado de que a minha criatividade não deveria ser restringida plenamente pelo meu físico. Seria como se um arquiteto construísse apenas o que fosse viável ser construído com as mãos."

E isso realmente não o desencorajou. O artista, que trabalha há quase 20 anos, tem uma equipe de assistentes que o ajudam a construir suas visões artísticas seja com esculturas, pinturas, instalações, fotografias, filmes ou com os figurinos vitorianos que o artista desenvolve. Esse vestuário, que é legado da Era Vitoriana Inglesa e coincide com a colonização do continente africano, são confeccionados com o Dutch Wax (tecido com estampas típicas africanas). O que ele mesmo considera como uma "adorável ironia" quando descobriu que os melhores tecidos "africanos" são, para o espanto dele e meu, produzidos na Holanda e se inspiram na técnica batik (tradicional da Indonésia).

Essa globalização é inerente nos trabalhos de Shonibare, que aborda o colonialismo e o pós-colonialismo, dentro do contexto da globalização contemporânea, através da historia africana e européia. Com referências da literatura e história ocidental, Yinka cria obras com o intuito de fazer o observador repensar pontos da história africana de uma maneira inteligente e quase cômica (de uma realidade não tão engraçada assim).

O artista, que tem como missão quebrar os estereótipos contemporâneos, desenvolveu trabalhos singulares, que se baseiam na dualidade entre a moda e o comportamento europeu, que por anos se baseou no luxo, excesso e desperdício, contrastando com as estampas e realidades africanas. Os manequins sem cabeça e o tom de pele padrão é resultado do ideal do artista de se livrar de leituras baseadas em cor e raça.

Alguns de seus trabalhos que permeiam a escultura, pintura, fotografia, instalação e, recentemente, filmes:

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O artista também teve algumas peças expostas em instalações públicas como a bailarina na Royal Opera House, em Londres; os tecidos de mais de seis metros de altura, que são marca registrada do artista, entitulados Wind, e o barco engarrafado Nelson's Ship (sua primeira obra pública).

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E os trabalhos com filmes do artista, que iniciaram em 2004 com A Masked Ball (Un Ballo In Maschera) e teve como inspiração a ópera de mesmo nome de Giuseppe Verdi, de 1859, que retratava o assassinato do rei Sueco Gustav III em um baile de máscaras em Estocolmo, em 1792.

Em 2005, lança Odille & Odette inspirado no clássico do balé Swan Lake (demorei pra perceber que na realidade são duas dançarinas e não uma na frente do espelho - risos)

E o mais recente, produzido em 2011, Addio Del Passato (So classe my sad history) com a personagem Frances Nisbet, esposa do Lorde Nelson, cantando o último ato da ópera La Traviata, também de Verdi. A produção do vídeo foi acompanhada pelas fotografias do ensaio Fake Death Picture.

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