Africa Africans no SPFW

O projeto Africa Africans, que realiza a maior exposição de arte contemporânea africana da história no Brasil (que acontece no Museu Afro Brasil, em São Paulo, que você pode conferir com mais detalhes aqui) estreiou no último dia de desfiles do São Paulo Fashion Week.

“O desfile faz parte de um projeto grandioso, que traz a contemporaneidade da arte africana para o Brasil, por meio de uma exposição desses artistas, que será inaugurada no dia 25 de maio, que é o Dia Mundial da África. Adiantamos a mostra de moda, que faz parte do Africa Africans, para participar do SPFW, para estender esse conceito de atualidade.”

Ana Lúcia Lopes, coordenadora do planejamento curatorial do Museu Afro Brasil.

A primeira etapa do projeto teve o mesmo objetivo da exposição: desmistificar e derrubar conceitos pré-concebidos em relação à identidade contemporânea  africana, livre de clichês e conotações folclóricas.

Andy Okoroafor, diretor de arte Nigeriano, fundador do estúdio CLAM e editor da CLAM Magazine, foi escolhido para fazer a curadoria dos designers e peças para serem apresentadas na 39ª Edição do São Paulo Fashion Week. Foram escolhidos cinco estilistas de diferentes países africanos para mostrarem um pouco da moda do continente: Imane Ayissi (Camarões), Amaka “Maki” Osakwe (Nigéria), Xuly Bët (Mali), Jamil Walji’ (Quênia) e Palesa Mokubung (África do Sul).

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“Selecionei cinco designers de países e estilos diferentes para mostrar a modernidade e a criatividade da arte africana, livre de clichês.”

Andy Okoroafor, responsável pela curadoria dos desfiles da Africa Africans no SPFW.

Quem abriu o desfile que aconteceu no dia 17 de abril, último dia do SPFW, no museu Afro Brasil foi Iamane Ayissi.

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Nascido no Camarões, o ex-dançarino/modelo reside em Paris desde a década de 90. Em 2000, lançou sua marca homônima, a Iamane Ayissi que participa do calendário da Semana de Alta Costura Parisiense há alguns anos. O camaronense fugiu do conceito óbvio e batido da moda africana com a coleção Meullara apresentada em Paris e recentemente no Brasil.

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Quem continuou o show foi a Nigeriana Amaka Osakwe, diretora criativa da marca Maki Oh que há pouco tempo entrou pro line-up do New York Fashion Week. A marca, que faz sucesso dentro e fora do continente africano, chamou a atenção inclusive de Michelle Obama que, além de usar peças da marca, convidou a designer para o evento Celebration of Design de 2014, que aconteceu na Casa Branca.

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Amaka apresentou sua coleção Spring/Summer 2015 em solo brasileiro. Uma coleção, considerada pela estilista a mais séria até então, é feminina e etérea e misturou estampas e tecidos, que tem processos ecologicamente corretos e técnicas tradicionais do continente. Com uma cartela de cores sóbria, predominantemente azul, Amaka coordenou transparências, plissados, plumas e recortes de uma maneira moderna, lady-like e cool.

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O terceiro desfile foi da Xuly Bët (que significa Watch Out em Wolof - dialeto africano). Dirigida por Lamine Badian Kouyaté, que nasceu em Bamako, capital do Mali, em 1962. A Xuly Bët Fuckin' Fashion Factory, fundada em 1989, tem um DNA único que é uma mistura de estilos clubber e grunge com um forte perfume pop-africano. A marca fez grande sucesso na década de 90 em Paris, onde a foi fundada apenas três anos depois de Lamine ter ido estudar Arquitetura na capital francesa (algo que obviamente não durou muito).

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As primeiras coleções, no início da década de 90, eram misturas de peças de brechós (que o designer garimpava e transformava), camisetas, couro, pele falsa, muitos acessórios e cores fortes que o transformaram numa referência da cultura pop africana da década de 90 no cenário de moda francês. O diretor da marca, que recebeu o prêmio de Creator of the Year pelo New York Times em 1994 e foi vencedor do ANDAM (Association Nationale pour le Développement des Arts de la Mode) de 1996, tem uma visão única da mulher contemporânea e cria, de maneira singular, uma moda de personalidade forte, divertida e com raízes africanas.

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O quarto desfile foi regido pelo Queniano Jamil Walji’. Nascido em Nairobi, capital do Quênia, e graduado em Design de Moda na Malásia em 2009, esse designer nada básico usa dramaticamente estampas, volumes, transformações têxteis e padronagens étnicas para inovar no cenário de moda africano.

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E quem encerrou o desfile foi a sul-africana Palesa Mokubung, fundadora e diretora criativa da Mantsho (que significa "Uma bela complexidade" em Sesotho, dialeto sul-africano). A marca, fundada em 2004, foi resultado do desempenho de Palesa na indústria de moda sul-africana que culminou no desenvolvimento de sua marca própria. O trabalho de silhuetas e diferentes materiais caracteriza o trabalho da designer que já representa um dos grandes nomes da moda africana.

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Confira o desfile completo da Africa Africans no SPFW 2015:

http://terratv.terra.com.br/trs/video/7818700

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